No dia 20 de março de 2001, o Brasil assistiu o afundamento da plataforma-36 considerada a maior plataforma petrolífera do mundo. Os prejuízos foram gigantescos. Para o fundo do mar se foram 500 milhões de reais, a reserva de 1,5 milhões de barris de petróleo, e acima de tudo a vida preciosa de dez funcionários que ali trabalhavam. A plataforma-36 media cerca de 120 metros, o equivalente a um prédio de 40 andares, pesava 31 mil toneladas e tinha uma capacidade de produção de 80 mil barris por dia. (Folha de São Paulo, 21/03/01)
Aos poucos a plataforma-36 foi oscilando até atingir a inclinação de 90º, definindo assim, o seu naufrágio. Para aqueles que acompanharam a olho nu a tragédia, a visão era simplesmente estarrecedora e caótica, mas era uma realidade irreversível. Conseqüentemente, a angústia, espanto, tristeza e dor eram sentimentos próprios diante de uma tragédia que impiedosamente desafiava a perícia humana. Em pouco tempo, ganharam as profundezas do mar os sistemas financeiro, industrial, tecnológico, e, lamentavelmente, vidas humanas.
A tragédia deixou um rasto de terror e espanto no aspecto financeiro. Um saldo de profunda tristeza, luto e dor para as famílias das vítimas. Às 11:30h no local da plataforma era como se ela nunca tivesse existido. Tudo havia naufragado a uma profundidade de 1350 metros. Por sua imponência e capacidade de produção o naufrágio dessa plataforma em tão pouco tempo nunca foi cogitado.
Isso nos leva a uma profunda reflexão sobre o tempo em que vivemos. Na verdade, “Estamos vivendo no período mais solene da história deste mundo. O destino das imensas multidões da terra está prestes a decidir-se. Nosso próprio bem-estar futuro, e também a salvação de outras almas, dependem do caminho que ora seguimos.” (O Grande Conflito, 606). Diante disso, vivemos em estado de alerta. Pois “Vai alta a noite e vem chegando o dia..” (Rom. 13: 12). A realidade de nosso tempo é simplesmente irreversível.
Diante de acontecimentos dessa natureza, podemos imaginar a catástrofe que aguarda o nosso mundo. Lemos: “ Terrível é a crise para a qual caminha o mundo.” (O Grande Conflito, 610) Nessa declaração, se acham implícitos elementos tais como: Sistema financeiro, política, a moralidade humana, sistemas religiosos, avanços tecnológicos e outros. Além disso, é bom salientar que: “Para a sabedoria humana, tudo isto parece agora impossível: mas, ao ser retirado dos homens o Espírito de Deus, o qual tem o poder de reprimi-los, e ao ficarem eles sob o governo de Satanás, que odeia os preceitos divinos, hão de acontecer coisas estranhas.” (grifo nosso). (O Grande Conflito, p. 613)
Numa visão escatológica, Jesus afirmou: “Pois assim como foi nos dias de Noé, também será a vinda do Filho do homem.” (Mat. 24: 37). Do monte das Oliveiras, o Salvador predisse o naufrágio de um mundo imerso numa vida distanciada de seu criador a começar com a destruição de Jerusalém no ano 70 A.D. e findando em nossos dias. O mundo antediluviano com todo o seu sistema de vida afundou nas águas quando nenhuma cogitação havia a esse respeito. Os acontecimentos atuais em todos os aspectos da vida moderna abalam a plataforma do mundo em todas as suas bases. A visão da vida moderna não se dá conta da realidade em que o mundo está vivendo. Cristo disse: “e não o perceberam, senão quando veio o dilúvio e os levou a todos, assim será também a vinda do filho do homem” (Mat. 24: 39).
Como indivíduos, precisamos buscar diariamente um melhor preparo espiritual. A humanidade não tem consciência dos níveis de inclinação dessa plataforma. Assim sendo, prevalece os feitos humanos através de sistemas (financeiro, político, tecnológico, etc) cujo naufrágio nem se cogita. Da perspectiva humana, a história secular simplesmente marcha sem um propósito específico. Os acontecimentos não passam de objetos do acaso e a humanidade não passa de um contingente de seres que ainda está evoluindo.
Entretanto, Para nós outros, que conhecemos o tempo, nenhuma dessas premissas faz sentido. Porque acreditamos que o naufrágio da plataforma desse mundo dará lugar a um mundo novo, onde não haverá lágrimas, luto, tristeza e dor. Pois “... nos dias destes reis, o Deus do céu suscitará um reino que não será destruído; ... mas ele mesmo subsistirá para sempre.” (Dan. 2: 44).
Estejamos preparados para isto.



