A corrida pelo sucesso é a temática do cotidiano na sociedade. Todos querem ter sucesso em seus empreendimentos.

Nessa maratona para alcançar o sucesso, há uma tendência muito acentuada de esquecer as palavras de Salomão em Eclesiastes 2:11 cuja síntese está na seguinte frase “... Correr atrás do vento.” Isso jamais conflita com o desejo e a iniciativa de um excelente desempenho e o constante aperfeiçoamento  profissional. Afinal, todos queremos ser profissionais de sucesso.

Para milhões de pessoas, ter sucesso é símbolo de estrelismo. E para muitos, não importa como chegar lá. A filosofia de que os fins justificam os meios torna-se o padrão adotado por tais pessoas em todas as áreas da vida, desde que seja em direção ao sucesso.

Esse foi o critério adotado por Lúcifer, quando de sua rebelião no céu. (Isa. 14: 13-14). Lemos: “Disputar a supremacia do filho de Deus, desafiando assim a sabedoria e amor do Criador, tornara-se o propósito desse príncipe dos anjos. Para tal objetivo estava ele a ponto de aplicar as energias daquela mente superior, que, abaixo da de Cristo, era a primeira dentre os exércitos de Deus.” (Patriarcas e Profetas,  p. 16).

Lúcifer não estava satisfeito em ocupar um espaço no plano de Deus. Ele queria disputar o espaço. Portanto, seu sucesso implicava em estar “... ACIMA das estrelas de Deus... SUBIR nas mais altas nuvens e SER semelhante ao altíssimo.” (Isa. 14:13-14). Tal semelhança não era em caráter, mas em igualdade de poder e atributos.

O que é sucesso? A definição dada por Maurício Góis é interessante. Ele diz: “É o aproveitamento da própria capacidade naquilo que se deseja fazer. Sucesso é satisfação pessoal por uma realização.” (O Sucesso vem de Fora, p. 85). Já o contrário, isto é, o fracasso, no dizer de Patrick Morley, “é ser bem sucedido em algo que não vale a pena.” (Desafios da vida de um Homem, p. 346). A história do grande conflito tem revelado que o “sucesso” pretendido por Lúcifer e seus seguidores não valeu a pena.

João Batista foi um homem de sucesso. Sua posição de grandeza vinha desde o ventre. “Ele será grande diante do Senhor...” (Luc. 1:15). Não diz diante dos homens. Sua obra era preparar o caminho para o Messias. (Mat. 3:1-4). Seu papel era o de um coadjuvante cuja função de maior destaque era a preparação do cenário para o ator principal. Jesus Cristo. Interessante que ele próprio advogava isto. (Jo. 1:19-30 ; 3:22-30). Esse homem de bom grado aceitou o plano de Deus na ocupação e não na disputa de um espaço, o que implicaria na usurpação de uma posição que não era sua, mas do Messias.

Anos atrás a Rede Globo prestou uma homenagem àqueles funcionários que pela função que exercem não aparecem na televisão. O lema adotado foi o seguinte: “Essa gente que você não vê, faz a televisão que você vê.” Bondade ou não, esse lema salienta a importância de toda função que contribui no todo da empresa, ainda que seja vista como insignificante por aqueles que disputam o espaço.

Podemos ver o sucesso de duas dimensões: linear e piramidal. Segundo Maurício Góis, a primeira realiza as pessoas no Ser, Ter e Fazer. Ao passo que a segunda escraviza as pessoas no Ser, Ter e Fazer. Em qual das duas dimensões você se classifica?

Quando o Messias apareceu no cenário da história, não houve uma queda de João Batista de sua função. Pelo contrário, houve de sua parte uma satisfação (Jo. 3: 29) pela realização de uma tarefa que só foi cumprida porque ele, nesse mesmo cenário da história, ocupou de forma linear um espaço que lhe foi dado. A consciência do dever cumprido levou-o a fazer uma confissão jamais feita pelos defensores do sucesso piramidal, isto é, "Convém que ele cresça e que eu diminua.” (Jo. 3:30).

Na igreja ou nas instituições não importa a sua função, meu amigo. Lembre-se de que o sucesso, como muitos pensam, não reside na disputa do espaço. Mas na ocupação de um espaço que lhe foi designado por Deus. Lembre-se de que quem está na linha reta não tem de onde cair, ao passo que aqueles que lutam para estar sempre no topo da pirâmide, à semelhança de Herodes (Mat. 2: 1-18), temem o nascimento de um novo Rei.